Entrevista: Fábio Baldo (SP), realizador do filme “Caos”

Algumas perguntas para Fábio Baldo, realizador do filme “Caos”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. Lançado em agosto de 2010, “Caos” já participou de mais de 20 festivais pelo mundo, incluindo o 33º Festival Internacional de Curtas-metragens de Clermont-Ferrand, o 34º Montreal World Film Festival, o 40º Festival Internacional de Cinema de Kiev e o 26° Festival Internacional de Cine en Guadalajara

Sinopse: Em meio à seca, dois homens se entregam às forças da natureza e iniciam uma jornada sem volta, rumo à paranoia

CEN – Comente a escolha do título.

O título “Caos” se refere, em partes, ao estado de espírito em que o personagem principal se encontra – quase como se tivesse explodindo em inquietações e questionamentos – e também como referência à teoria do caos. A relação entre mundos de proporções diferentes que se afetam mutuamente é presente no filme o tempo todo. Por exemplo, quando o trator, no início do filme, provoca uma tempestade de areia afetando formigas que executam seu trabalho no mesmo solo. Homem e formiga se relacionam pelo mesmo processo, mas acabam lidando com o ambiente de formas diferentes.

CEN – Por que a escolha de um ambiente rural, quando o título remete muito mais ao ambiente urbano?

O impacto que o título conseguia ter quando deslocado de seu signo era nossa forma de pegar o público logo na primeira cena do filme. Acho que é bastante comum hoje associar o caos à vida urbana. Isso já está tão impregnado que o uso de termos como “caos urbano” é bastante recorrente no discurso popular. Mas o mais importante é que o filme acaba nos apontando que a origem do caos não está relacionada ao ambiente dos personagens, mas sim a eles mesmos. E pelo fato de serem mudos e não conseguirem externalizar seus sentimentos, fica latente uma ebulição de sensações que esses personagens carregam e acabam trazendo para o ambiente em que se encontram.

CEN – Comente a sua escolha por explorar os silêncios, a ausência de diálogos e os efeitos sonoros.

A ideia que tínhamos para o filme era muito ousada e fomos, de certa forma, covardes em não executá-la. A de não existir um ruído sequer durante toda a projeção. E que no final seria justificado pela surdez dos personagens. Achamos que isso poderia afastar o publico acostumado às narrativas convencionais e que talvez fosse meio óbvio tirar o som de tudo pra justificar uma deficiência dos personagens. Acabamos indo na contramão da ideia e exploramos os sons de forma que eles fossem mais presentes e latentes do que o normal. E que isso no final gerasse no público um questionamento de quão importante era cada ruído ouvido no filme, mas que em nenhum momento foram compartilhados com os personagens. A ideia é que o espectador se sinta mal por poder ouvir aquilo tudo e os personagens não.

CEN – No que você está trabalhando neste momento?

Estou finalizando meu segundo curta-metragem que trata de homens que, em algum período da história humana, viviam isolados e não compartilhavam suas descobertas. Pode ser considerado um filme pré-histórico, mas eu prefiro acreditar que a história poderia acontecer hoje em qualquer lugar do mundo se um homem crescesse afastado da civilização.

Assista ao trailer de “Caos”:


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Sobre Cine Esquema Novo

Pensado desde 2001, realizado desde 2003, o Cine Esquema Novo é um festival que usa a palavra "cinema" no sentido mais amplo possível.

Um Comentário

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