Entrevista: Gustavo Jahn e Melissa Dullius, realizadores do filme “Cat Effekt”

Algumas perguntas para Gustavo Jahn e Melissa Dullius, realizadores do filme “Cat Effekt”, selecionado para a Mostra competitiva de curtas e médias-metragens do CEN 2011. Gustavo nasceu em Florianópolis e Melissa em Porto Alegre, e desde 2006 estão em Berlim, onde formam o Distruktur duo. Seu trabalho se move na fronteira entre cinema e arte, ficção e experimentalismo, fotografia e imagens em movimento. “Cat Effect” já participou do BAFICI – Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independienter, XXVIII Festival Internacional Cinematográfico do Uruguai e Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira.

Sinopse: O mundo como percepção, sensação e cores: um corpo se move pelo espaço Moscovita perfazendo uma trajetória por diferentes níveis da realidade. Durante a noite, nas estações de metrô, passagens subterrâneas ou em trens em movimento mulheres trocam olhares, figuras formam-se, transmutam-se e se multiplicam. Uma imagem em loop é projetada ao infinito, e tudo parece caber nesse loop, todas as coisas sempre a repetirem-se.

CEN – Porque filmar em Moscou? Essa história não poderia acontecer em qualquer outra cidade? O que Moscou deu de seu para Cat Effekt?

O espaço é a questão central de “Cat Effekt”. O espaço que é ao mesmo tempo receptáculo e produtor de uma determinada atmosfera. “Cat Effekt” parte desta premissa: um determinado espaço engendra uma atmosfera específica que por sua vez molda as formas que nesse espaço se encontram. As formas: as pedras, os rostos, as árvores assumem uma forma tal, quando num lugar acontecem e se movem. O mesmo acontece com a produção de arte. Pensamos que apesar de todos os efeitos da globalização e dos trendsetters há ainda substâncias específicas a serem encontradas no mundo. Nós fomos, desde o começo, mais arqueólogos e alquimistas do que artistas e cineastas. Assim que fomos até Moscou, atraídos por magnetismo apenas, fomos lá cavocar a matéria do lugar para encontrar certa joia, uma joia russa. E essa joia nós transformamos em pó, e esse pó nós espalhamos sobre o filme. É dele que vem a magia.

CEN – Os processos fotográficos (químicos) são muito importantes para vocês? Como vocês relacionam técnica e conceito?

Os processos químicos se relacionam diretamente com três questões centrais de “Cat Effekt”: a linguagem física dos sinais, o lance de dados e os níveis paralelos de consciência. A linguagem física dos sinais, que também poderia ser chamada de a estética do espaço, é justamente a ideia de que um determinado espaço fecunda determinadas formas, e que essas formas, ao se relacionarem no espaço em movimento ou estáticas, acabam por estabelecer certo jogo, que é uma linguagem local. Esse jogo se impõe no espaço de maneira puramente física, concreta, material. Os processos químicos nos permitiram nesse filme desenvolver essa concretude, expandi-la para além do conceito.

CEN Cat Effekt foi filmado em 16mm e revelado artesanalmente, certo? Vocês esperavam algum efeito específico, como a textura e a cor que se vê no resultado final, ou não? Vocês planejaram, por exemplo, uma cor predominante no filme, ou isso surge depois?

As cores foram os fenômenos que mais cedo nos chamaram a atenção. Há na Rússia talvez a mais bela paleta, a mais doce, suave e terna combinação de cores. Não a buscamos propositalmente, e uma das coisas que mais nos alegra ao ver o filme é vê-la florescer aqui e ali, o rosa claro, o amarelo, o azul, o verde e o púrpura combinando-se nas ruas, no metrô, nas pessoas. Havia sim uma cor que buscávamos, era a cor de ouro. Mas a cor de ouro não é uma cor em si, e sim, como constatou Wittgenstein, a propriedade de uma superfície que brilha ou resplandece.

CEN – No que vocês estão trabalhando neste momento?

Nos longas Ww, um filme-fábula rodado inteiramente em espaços públicos de Berlim, e Fluxus et Refluxus, uma autobiografia intercontinental.

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Sobre Cine Esquema Novo

Pensado desde 2001, realizado desde 2003, o Cine Esquema Novo é um festival que usa a palavra "cinema" no sentido mais amplo possível.

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